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Mês das Mulheres: Mulheres em situação de rua demandam proteção e atenção especial

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, um grupo ainda recebe pouco espaço e atenção no debate público: as mulheres em situação de rua. Muitas chegam a essa condição após episódios de violência e, nas ruas, passam a enfrentar ainda mais vulnerabilidades, o que demanda atenção específica por parte das instituições. Em mutirão do PopRuaJud, elas encontraram acolhimento e compartilharam trajetórias marcadas por dor, resistência e esperança. Por Delane Ratts – Jornalista Ainda não eram oito horas da manhã quando os passos cuidadosos e o olhar tímido de uma senhora surgiram na Praça Murilo Borges, no Centro de Fortaleza. Ali acontecia um mutirão de atendimento voltado a pessoas em situação de rua. A ação, realizada no último dia 10 de março pela Justiça estadual, em parceria com outras instituições, dedicou atenção especial ao público feminino, com orientações, encaminhamentos e serviços sociais. No mês marcado pelas discussões sobre os direitos das mulheres, a iniciativa contribuiu para dar visibilidade a um grupo que muitas vezes permanece à margem do debate público: as mulheres em situação de rua. Uma das primeiras a chegar em busca de atendimento foi Regina Cinara (nome fictício escolhido por ela para preservar sua identidade). Ela procurava informações sobre benefícios sociais. “Eu tenho 48 anos. Desde os 23 anos moro nas ruas. Cheguei aqui devido a uma agressão física de um companheiro. Eu estava grávida de nove meses e perdi meu filho”, relata. Regina conta que trabalhou como cozinheira, mas problemas na visão e a vida nas ruas dificultaram a continuidade da atividade. Segundo ela, para sobreviver, acabou recorrendo à prostituição. Ao final do atendimento, recebeu orientações sobre o benefício que procurava e encaminhamento para serviços disponíveis na rede de assistência. Durante o mutirão, foram oferecidos serviços voltados à garantia de direitos e ao resgate da dignidade de mulheres em situação de rua Ao caminhar pela praça, outra mulher chamava a atenção. Diante de um pequeno espelho, ela passava batom e arrumava o cabelo enquanto aguardava atendimento. No texto, será chamada de Valéria Simone (nome fictício). Também em situação de rua, ela conversava com facilidade e contou um pouco da própria trajetória. Apesar das dificuldades vividas, sorria e demonstrava alegria. “A rua é meu lar. Aqui eu aprendi a ser feliz. Eu busco me embelezar, tomar banho, fazer minhas refeições. Eu não conheço amor de pai nem de mãe. Na verdade, não conheço o que eu chamo de lar de verdade. Cheguei às ruas aos sete anos de idade, quando fui abusada por um familiar. A partir dali, fiz dessas ruas do Centro minha moradia”, relata. Valéria diz que teve contato com drogas e que isso marcou parte de sua trajetória. Mesmo assim, afirma que deseja reconstruir sua trajetória. “Eu ainda vou me reconciliar com a vida”, diz. Em diferentes pontos da praça, pessoas aguardavam atendimento ou conversavam com as equipes presentes. Entre elas, muitas mulheres relataram experiências de violência doméstica, conflitos familiares ou perda de vínculos sociais. Segundo o Censo da População em Situação de Rua de 2021, Fortaleza tem quase três mil pessoas vivendo nessa condição. As mulheres representam cerca de 18,5% desse total, aproximadamente 490 pessoas. Números que podem ser ainda maiores, devido à dificuldade de identificação e registro dessa população. Naquela manhã, várias instituições estavam ali para garantir que essas pessoas tivessem acesso à proteção, à justiça, a políticas públicas, apoios e orientações. A Central de Atendimento Judicial (CAJ) — um dos serviços da Justiça que saiu dos fóruns e estava presente na praça — oferecia à população a oportunidade de resolver pendências judiciais de forma rápida, gratuita e acessível. Uma das pessoas atendidas foi Josi Oliveira (nome fictício). Ela não vive em situação de rua, mas procurava informações sobre o processo do filho, preso há nove anos, e também buscava ajuda para uma filha que vive nas ruas. “Eu vim aqui para saber como está o processo do meu filho e como posso ajudar minha outra filha. Você sabe o que é toda semana eu ter que ir ao presídio conversar com meu filho e vir ao centro da cidade procurar minha filha e rezar para que eles permaneçam mais uma semana vivos?”, pergunta. Enquanto falava, segurava alguns documentos relacionados aos processos e às tentativas de acompanhar a situação dos filhos. Com lágrimas nos olhos, se despede dizendo que não há um dia em que deixe de lutar por eles e que tem esperança de que possam recomeçar novos caminhos. A ação também foi marcada por histórias de recomeço e superação Esse recomeço já faz parte da história de Janete da Silva de Jesus, que não utiliza pseudônimo. Natural do Piauí, ela chegou a Fortaleza em 2005 com o marido, filhos e um sonho: ser feliz nesta cidade. No entanto, não tinha nem para onde ir. As ruas da capital foram o abrigo da família. Janete conta que participava de todas as atividades oferecidas em centros sociais, como palestras, oficinas e cursos de capacitação. Anos depois, o marido adoeceu e faleceu. Os filhos retornaram para o Piauí, e ela permaneceu em Fortaleza. “Há oito anos consegui sair das ruas. Hoje tenho carrinhos de lanche e também faço artesanato com palha de coqueiro. Passei por momentos difíceis, mas consegui recomeçar com o apoio de pessoas que estenderam a mão”, conta. Olhares e gestos revelam as marcas da vida nas ruas, ao mesmo tempo em que expressam a busca por novas possibilidades Próxima a ela estava Débora Alice, 45 anos. Ela conta que passou a viver nas ruas após desavenças familiares e enfrentou persos problemas de saúde nesse período. Há sete anos, ela vem escrevendo uma história de superação. “Eu perdi alguns movimentos do lado esquerdo do meu corpo por causa de uma meningite que demorou a ser tratada. Pedi muito a Deus para sair dessa situação e e num é que saí?! Hoje tenho um marido, moro em aluguel social e trabalho ajudando nas artes que ele faz com alumínio”, relata. As histórias ouvidas ao longo da manhã revelam trajetórias marcadas por perdas, violência, dificuldades e tentativas de reconstrução. Janete, Débora, Valéria, Josi, Regina e tantas outras mulheres em situação de rua buscam apoio, acolhimento, políticas públicas e serviços de assistência. Buscam, acima de tudo, reconhecimento e oportunidades que abram caminhos para novos recomeços. *Alguns nomes utilizados nos depoimentos são fictícios para preservar a identidade das mulheres em razão da natureza sensível dos relatos. SAIBA MAIS Mutirão PopRuaJud promove atendimentos judiciais, de saúde e cidadania no Centro de Fortaleza
23/03/2026 (00:00)
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