Presidente da Alerj convoca sessão para eleger novo presidente da Casa
Alerj convoca eleição para escolher o novo presidente da Casa O presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Guilherme Delaroli (PL), anunciou no final da manhã desta quinta-feira (26) a convocação de uma sessão extraordinária para eleger o novo presidente da Alerj. A votação, convocada para as 14h15, começou com 20 minutos de atraso. Com isso, de acordo com a linha sucessória, o novo presidente do Legislativo estadual vai se tornar o próximo governador do Rio. A votação será aberta, com definição por maioria absoluta: o presidente será eleito com metade dos votos mais 1 entre os deputados presentes. Com 46 deputados presentes, o g1 apurou que há apenas uma candidatura à presidência da Alerj: a do deputado Douglas Ruas (PL). O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou para terça-feira (31) a retotalização dos votos que vai alterar a composição da Alerj, após a cassação de Rodrigo Bacellar e a anulação dos 97 mil votos obtidos por ele. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça 1 de 4
Eleição na Alerj — Foto: Henrique Coelho/g1 Rio Por que haverá essa eleição 2 de 4
Guilherme Delaroli, atual presidente da Alerj — Foto: Cristiano Masruha/Divulgação Na semana seguinte à prisão, o plenário da Alerj votou para soltar Bacellar, mas o ministro Alexandre de Moraes determinou o afastamento do deputado da presidência da Casa. Bacellar, então, pediu sucessivas licenças do mandato, e a Alerj foi presidida por Guilherme Delaroli, o vice. Na última terça-feira (24), Bacellar foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas por outro motivo — a condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, dentro do “escândalo do Ceperj”. Por maioria de votos, os ministros do TSE entenderam que houve uso indevido da máquina pública por Cláudio Castro, Thiago Pampolha e Rodrigo Bacellar. As suspeitas envolvem a Fundação Ceperj e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com a contratação de milhares de pessoas sem concurso e salário em espécie, pago na boca do caixa. No Legislativo, o vice não assume de vez a vaga do titular e só pode ocupar o cargo interinamente. Uma vez cassado o mandato de Bacellar, é necessário realizar uma nova eleição para a Mesa Diretora. Por que essa eleição interfere no Palácio Guanabara A eleição desta quinta-feira vai interferir no governo do RJ. Desde segunda-feira (23), o estado é governado pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o 1º numa linha sucessória repleta de desistências. Cláudio Castro renunciou ao mandato numa tentativa de reverter o julgamento no TSE. O então governador acreditava que, uma vez abrindo mão do cargo, não haveria o que cassar, e a ação seria extinta. Mas o TSE manteve o julgamento e o condenou, impondo uma inelegibilidade de 8 anos. A medida abrangeria a chapa inteira, mas o vice de Castro, Thiago Pampolha, renunciou muito antes, em maio do ano passado, para virar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Recontagem levantou dúvidas TSE torna Claudio Castro inelegpivel por 8 anos Assim que Delaroli confirmou a data e o horário da votação, o deputado Luiz Paulo (PSD) questionou se o pleito teria validade. Luiz Paulo lembrou que a cassação de Bacellar pode mexer na composição da Alerj. Como os votos que Bacellar recebeu na eleição de 2022 tornaram-se inválidos, uma recontagem terá de ser feita, com possibilidade de alterar o cociente eleitoral e o tamanho das bancadas. Além disso, segundo Luiz Paulo, o suplente que herdará a vaga de Bacellar não teria tempo hábil para tomar posse e participar da eleição desta quinta. Mas o deputado Filippe Poubel (PL) lembrou que, em 2019, na eleição do ex-presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), o processo ocorreu mesmo com 5 deputados presos na Operação Furna da Onça, resultando em 65 votos. “Já abrimos essa brecha. O Ceciliano abriu uma votação à época com menos 5 deputados, e hoje estamos abrindo com menos 1. A eleição foi válida e promulgada. Isso criou um precedente para votarmos com 69 deputados”, afirmou. 4 de 4
Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro — Foto: Reprodução Com as mudanças em curso, o Rio pode ter uma sequência rápida de trocas no comando do Executivo. Em pouco mais de um mês, o estado pode passar por quatro governadores diferentes: Cláudio Castro, que renunciou;o desembargador Ricardo Couto, atual governador em exercício;o novo presidente eleito da Alerj;e o governador escolhido na eleição indireta para o mandato-tampão. No meio desse cenário, os eleitores do Rio de Janeiro também vão às urnas em outubro, para as eleições gerais, quando vão escolher o futuro governador do estado, que dará início ao mandato em janeiro.